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VI Seminário Nacional de História da Historiografia acontecerá em agosto

O VI Seminário Nacional de História da Historiografia ocorrerá em agosto na UFOP, em Mariana. A pesquisadora do Grupo de Pesquisa Oficinas de História Márcia de Almeida Gonçalves coordena, junto com o Professor Alexandre Avelar, o Simpósio N 12: Histórias, dilemas e prespectivas da escrita da História no mundo contemporâneo (Séculos XX e XXI. Como este Simpósio Temático atingiu o limite máximo de inscrições, os interessados devem entrar em contato pelo e-mail da secretaria do evento: pagamento_snhh@yahoo.com.br Confira a ementa:

“Ao longo do século XIX, em diversas sociedades européias e americanas, a história alcançou o estatuto de disciplina científica autônoma. Instauraram-se espaços particulares, fossem universidades, sociedades e institutos, onde o historiador, como especialista e profissional, na posse de um conjunto de regras e procedimentos metódicos controláveis, tornava o passado um objeto a ser decifrado e conhecido.

No curso do século XX, a cientificidade do saber histórico, sua natureza e implicações epistemológicas, foram alvos de indagações variadas, afetando sobremaneira a produção historiográfica. Os fundadores e seguidores dos Annales, de certa maneira ao lado dos que abraçaram os referenciais marxistas, puseram em xeque as práticas e concepções dos metódicos, ditos positivistas, sem, contudo, abrir mão do caráter científico e do postulado de verdade que alicerçava a legitimidade do discurso do historiador. Em paralelo, nos saberes designados como ciências sociais, proliferaram críticas aos “historicismos”, em revisões de temas e abordagens que, de formas diferenciadas, contribuíram para o valor cada vez maior da história social.

Em especial, nas sociedades européias, mudanças significativas emergiram após a Segunda Grande Guerra, afetando gerações de pensadores e intelectuais. Insere-se nessa conjuntura, um conjunto de formulações, em diálogo com as filosofias da linguagem – destaque para a filosofia analítica britânica – e com a lingüística de Saussure, que, a partir de meados da década de sessenta, culminaram no chamado giro lingüístico. As implicações epistemológicas do giro lingüístico se fizeram sentir nas dimensões mais diferenciadas do campo das humanidades. Entre outras ponderações, o conceito de “representação”, caro a muitas formulações que se queriam decifradoras das ações humanas no mundo, entre elas a historiografia, cedia espaço para o conceito de “significado”.

O VI Seminário Brasileiro de História da Historiografia possui como tema O Giro-lingüístico e a Historiografia: balanço e perspectivas e abre espaço neste simpósio para a apresentação de trabalhos e reflexões que o abordem e problematizem sob diversas perspectivas. Pode-se, dessa forma, por em questão os afastamentos e similitudes entre textos historiográficos e literários, tendo em mente, por exemplo, a polêmica causada pela “Meta-história” de Hayden White. Ou, em outras bases, redimensionar o que veio a ser designado como o “retorno da narrativa”, nas considerações de Lawrence Stone. Em relevo, igualmente, a obra referencial de Paul Ricoeur – “Tempo e narrativa” – e o balanço sobre seus impactos e apropriações no campo da teoria e da escrita da história. Importante, em escala proporcional, a obra de Michel Foucault e a avaliação sobre seu caráter revolucionário – no ponto de vista de Paul Veyne -, quanto à renovação da historiografia.

Nestes termos, e no diagnóstico de suas especificidades, cabe considerar idéias do pós-estruturalismo – na alusão a Roland Barthes -, do “desconstrucionismo” de Derrida, e da hermenêutica de Gadamer, no mapeamento das críticas à cientificidade da história e suas repercussões. Outra visada importante se refere às abordagens do que foi denominado de “guinada subjetiva”, nas palavras de Beatriz Sarlo, contemplando-se, entre outros aspectos, os lugares e usos dos estudos biográficos e autobiográficos e a dita renovação da história política. Os desdobramentos destas polêmicas estão na raiz da chamada crise dos paradigmas, cujos efeitos, nos diversos domínios da escrita história, estimulam o ato de repensar o ofício do historiador, bem como seus desafios éticos, no regime de historicidade presentista, de acordo com a formulação de François Hartog.

A reunião de pesquisadores de variadas filiações teóricas será bem vinda, na busca por uma significativa experiência de discussões, estimuladora do diálogo e do confronto entre diversos pontos de vista e perspectivas de análise.”

 

A pesquisadora Rebeca Gontijo Teixeira também estará presente com o Simpósio Temático “O Ensaio como Problema”. Abaixo, a ementa:

“Considerado como um gênero híbrido e impreciso, frequentemente situado entre a literatura e a ciência social, o “ensaio” oferece um desafio aos estudiosos da historiografia, sobretudo quando recebe o adjetivo “histórico”.

Essa associação de termos, particularmente observável a partir do século XIX, quando a escrita da história busca estabelecer limites disciplinares nos contextos nacionais, permite propor algumas questões num seminário cujo tema maior é o chamado “giro linguístico”. Uma delas é saber que relação existe entre gêneros de escrita e determinados contextos culturais. Por exemplo, entre o “ensaio histórico” e o Brasil do século XIX e da primeira metade do século XX; entre o ensaísmo e a instituição de “objetos” como o povo, a mulher, o lendário ou a revolução, na França do XIX; entre uma forma associada a uma escrita aberta e inconclusa e a especialização da pesquisa universitária.

Considerando o “ensaio histórico” menos como um gênero auto-evidente (na sua imprecisão) ou a demandar definição, e mais como um problema a ser tratado, propomos discutir – inspirados pela notória pergunta de Michel de Certeau (1974/1975) – o que o ensaísta faz quando faz ensaios, particularmente, os ensaios históricos? O que busca? O que produz?

Este simpósio temático acolherá estudos de caso, que focalizem ensaístas nacionais ou estrangeiros, bem como reflexões de ordem teórica sobre o ensaio enquanto gênero discursivo.”

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