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Ciclo de debates: próximo convidado, Oldimar Cardoso Pontes

Após os encontros com Flavia Eloisa Caimi, professora da universidade de Passo Fundo, e com a professora Cristiani Bereta, da UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, agora é a vez do professor Oldimar Cardoso Pontes vir ao Rio de Janeiro falar sobre o ensino de história no Brasil em um evento promovido pelo Grupo de Pesquisa Oficinas de História. O próximo encontro será no dia 8 de novembro.

Membro da Diretoria da International Society for History Didactics, “fellow” da Alexander-von-Humboldt-Stiftung (desde 2008) e do Georg-Eckert-Institut für internationale Schulbuchforschung (desde 2009), Oldimar é docente e pesquisador de Didática da História da Universität Augsburg,  pós-doutorando do Departamento de História da Universidade de São Paulo (2008-2011), com doutorado (2007) e mestrado (2003) em Educação, bacharelado e licenciatura em História (1995), também pela USP.

Autor das coleções de livros didáticos de Ensino Fundamental II e Ensino Médio “Tudo é história” e “História Hoje” (Editora Ática), atua desde 1997 como formador de professores e desde 2006 como formador de formadores. Tem experiência nas áreas de História e Educação, com ênfase em Metodologia, Teoria e Didática da História, atuando principalmente nos seguintes temas: funções sociais da História, constituição histórica de sentido, cultura histórica, responsabilização científica, gestão de pessoas, comunicação intercultural, formação de professores e autoconfrontação.

 

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Anpuh-Rio tem sua primeira edição de Prêmio de Ensino

Com a finalidade de contribuir para a divulgação das experiências criativas e incentivar a inovação de professores e escolas no ensino de História do Rio de Janeiro, é lançada a primeira edição de seu Prêmio de Ensino José Luiz Werneck da Silva. “Além de seu trabalho como historiador, o professor Werneck cativou muitos alunos e admiradores, não apenas pela qualidade de suas aulas, mas também pela delicadeza e generosidade de seu temperamento”, finaliza a nota biográfica – disponibilizada no site da Anpuh-Rio – sobre o homenageado.

Entre os títulos de Werneck, encontram-se “A Deformação da História ou Para não esquecer” (Ed. Zahar, 1985), no qual registrou, através de depoimentos de professores e historiadores, a memória da repressão e da resistência à ditadura militar; “O Feixe e o Prisma: uma revisão do Estado Novo” (Ed. Zahar, 1991), organizado a partir de textos apresentados no Colóquio “Estado Novo e Autoritarismo no Brasil” (1987). A nota ainda destaca o pioneiro livro didático: “Brasil: uma história dinâmica” (Cia Ed. Nacional, 1971-72), em co-autoria com Ilmar Rohloff de Mattos e Ella G. Dottori.

Regras e prêmios

Publicado no mesmo site, o regulamento determina: “Será aceita uma experiência de Ensino de História de um professor, ou, no máximo, dois, em coautoria. (…) As experiências inscritas deverão ter sido desenvolvidas ao longo do segundo semestre de 2011 e primeiro bimestre de 2012, com conhecimento da direção da escola.”

“O prêmio para o primeiro colocado será concedido, em cerimônia própria com diplomação, e na forma de uma viagem uma cidade histórica brasileira, com direito a acompanhante, no caso de premiação individual. Em caso de prêmio para uma dupla em coautoria, cada um dos professores receberá uma viagem sem direito a acompanhante (passagem e hospedagem definidas pela Diretoria Executiva da Anpuh-Rio). O prêmio será divulgado antes da Assembléia Geral da Anpuh-Rio em 2012. A escola à qual se vincula o professor ou dupla de professores coautores receberá um conjunto de livros para sua biblioteca definido pela Diretoria Executiva da Anpuh-Rio. Parágrafo Único – A critério da Comissão Julgadora, poderão ser concedidos até dois títulos de menção honrosa para os trabalhos inscritos.”

Leia o regulamento completo ou visite o site da Anpuh-Rio.

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Ciclo de Debates: próxima convidada, Cristiani Bereta da UDESC

O Grupo de Pesquisa Oficinas de História realiza um Ciclo de Debates sobre temas de sua área de interesse e atuação que deverá ocorrer ao longo de sete encontros, entre 2011 e 2012. Em junho, Flavia Eloisa Caimi, professora da universidade de Passo Fundo, apresentou na PUC-Rio, um panorama das pesquisas acerca do ensino de história no Brasil. Os pesquisadores presentes apresentaram questões e registraram a qualidade do encontro.

O segundo encontro do Ciclo de Debates Oficinas de História ocorrerá no dia 21 de setembro, com a palestra da professora dra. Cristiani Bereta, da UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis. A professora tratará do tema das pesquisas sobre a formação de professores no Brasil. No mesmo dia Cristiani falará aos bolsistas do Projeto Pibid de História (Programa Institucional de bolsa de Iniciação à docência) Capes/Uerj sobre a experiência do Pibid em Santa Catarina.

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Nayara Galeno fala sobre Delgado de Carvalho e o ensino da História

Em maio de 2011 ocorreu a defesa de dissertação de Nayara Galeno do Vale, orientada pela professora doutora Marieta de Moraes Ferreira, cujo título é “Delgado de Carvalho e o ensino da História: livros didáticos em tempos de reformas educacionais (1931-1946)”. A professora da rede pública do Rio de Janeiro e atual professora da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, foi orientada pela professora Marieta de Moraes, na área de História Social, pelo Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ. Nayara contou ao site do Grupo de Pesquisa Oficinas de História um pouco sobre sua pesquisa. Confira:
 

Apresentação da dissertação:

“A dissertação teve como objeto o ensino de História nos anos 1930 e 1940. Para dar conta desse objeto, analisei a trajetória de Delgado de Carvalho e seus livros didáticos para o ensino de História publicados nos anos 1930 e 1940. Para isso, foram selecionados como fontes os livros Historia Geral: 1ª série secundária e bases para o desenvolvimento nas séries seguintes, publicado em 1935 em coautoria com Wanda de M. Cardoso, Historia Antiga e Medieval para a Primeira Série Ginasial e Historia Moderna e Contemporânea para a Segunda Série Ginasial, publicados em 1945 e 1946 respectivamente.

Busquei assim, investigar, por meio dessas obras, como o autor construiu suas reflexões teórico-metodológicas sobre o ensino da História. Por meio da descrição da materialidade dos livros, da análise acerca da adequação das obras aos programas e diretrizes para o ensino de História vigentes e da comparação com outras obras didáticas em circulação na época, investiguei as especificidades dos livros didáticos publicados por Delgado de Carvalho nas décadas estudadas e seus posicionamentos a respeito do ensino da disciplina.”

 

Discussões:

“O trabalho segue a trilha aberta por outros que voltaram os seus olhares para os saberes e referências que informam as práticas de nossa disciplina. Esses trabalhos têm se questionado sobre o lugar ocupado (ou não) por determinados autores e obras, publicadas no início do século XX. Assim, a vida e a obra de intelectuais “esquecidos” ou minimizados até então pela historiografia, como João Ribeiro, Oliveira Lima, Manoel Bomfim, Octavio Tarquínio de Sousa, Rocha Pombo, entre outros, têm sido objeto de pesquisas que mostram a diversidade e a abundância da produção historiográfica brasileira nesse período.

Seguindo a linha dos trabalhos que consideraram aspectos das trajetórias dos autores acima mencionados, partimos da premissa de que, nos anos 1930 e 1940, a profissionalização da pesquisa histórica possui vínculos estreitos com a sua divulgação e ensino, podendo, tais processos, serem executados por um mesmo indivíduo, que publicava livros, era professor e escrevia também em jornais e revistas.

Intrigou-me o fato de Delgado de Carvalho reportar-se muitas vezes, à sua experiência docente para justificar sua autoridade no que diz respeito ao ensino de História. Chamou-me também a atenção, o fato de o autor, ao rememorar sua trajetória profissional em uma conferência proferida no IHGB, já nos anos 1970, autodenominar-se não como historiador, mas sim como um “pardal de Clio”. A analogia é feita porque, tal como os pardais, os professores “vão buscar nos ninhos de pesquisadores desprevenidos os elementos necessários à suas lições e a seus livros didáticos”. Busquei, por meio desses questionamentos, escrever, não uma biografia de Delgado de Carvalho, mas, reconstituir sua trajetória intelectual, conferindo destaque às escolhas por ele efetuadas e aos recursos que ele utilizou ao longo de sua carreira profissional, particularmente no que diz respeito ao ensino da disciplina História.

Para reconstituir a trajetória de Delgado de Carvalho optei por dialogar com as marcas que ele mesmo escolheu para constituir a forma pela qual seria lembrado. Por meio de sua trajetória procurei conhecer melhor o autor, compreender suas escolhas e as leituras que fazia de seu próprio tempo. Tais leituras modelaram, de alguma maneira, sua percepção acerca da história e da função de seu ensino.

Essas questões me levaram à produção didática para o ensino de História sob a ótica de Delgado. Ainda que tenha localizado alguns escritos sobre a definição e a função do ensino da História, percebi que a maior parte da sua produção relacionada a esse campo de conhecimento era composta por livros didáticos e isso forneceu indícios para investigar o epíteto de “pardal de Clio” que o autor confere a si mesmo e a outros autores de livros didáticos e professores de História.”

 

Contribuições:

“Em primeiro lugar, a consideração de que devemos atentar para a historicidade de nossa própria disciplina, que representa sua própria trajetória como linear e orientada para a busca da cientificização. É comum acreditar-se que a criação dos cursos de pós-graduação em História nos anos 1970 possibilitou a profissionalização do historiador. Esse pensamento pode levar-nos a desconsiderar o fato de que anteriormente, nos primeiros cursos de graduação em História, criados nas décadas de 1930 e 1940, se formaram os primeiros profissionais da área. Esses cursos eram voltados, sobretudo, para a formação de professores secundários. A constituição da História como saber ensinável resultou de disputas que mobilizavam interesses e conhecimentos diversos.

Delgado de Carvalho, por exemplo, transitava por diversos campos em uma época em que as fronteiras entre esses campos não estavam delimitadas. O autor foi capaz de se mover pelos campos da Geografia, da História, das Ciências Sociais e da Educação, uma vez que tais tão campos não demandavam uma formação universitária específica como forma de acesso. Ao investigar sua trajetória, pretendíamos conhecer melhor o contexto de produção de seus livros e a participação nos “lugares de sociabilidade” nos quais estava inserido. Buscamos compreender, também, o significado que Delgado atribuía à História em sua trajetória intelectual e à escrita de livros didáticos para o ensino da disciplina. Em nosso entender, estudar o pensamento e a atuação de Delgado de Carvalho é importante para entendermos a constituição da História como disciplina escolar no Brasil em uma época em que as fronteiras entre as disciplinas se firmava.

Em segundo lugar, achei pertinente pensar os livros didáticos em função das possibilidades de que o autor dispunha naquele momento e da posição que ocupava no interior do campo do ensino de História. Consideramos, assim, as “falas” dos próprios livros didáticos sem deixar, entretanto, de inseri-los em um contexto de produção e em um diálogo com outras produções didáticas que se destinavam ao mesmo público.

Obviamente, não esgotei as possibilidades em torno de suas obras dedicadas ao ensino de História. Os livros didáticos, utilizados nessa pesquisa, podem servir de fontes a outros estudos que busquem compreender melhor a sua recepção e os seus usos. Outra possibilidade seria a realização de trabalhos comparativos entre os livros didáticos de Delgado de Carvalho e os livros franceses nos quais o autor busca inspiração. Ainda um caminho possível, seria a comparação da obra de Delgado com as de outros autores de livros didáticos que circularam na mesma época, tais como as de Joaquim Silva, Jonathas Serrano ou João Ribeiro.

O arquivo de Delgado de Carvalho, depositado no IHGB – embora não se encontre disponível ao público por não estar organizado – pode servir, no futuro, a outros estudos que se debrucem sobre a trajetória do autor e sobre sua atuação como professor. O acervo contém cadernos, planos de cursos, avaliações, notas de aula e provas de livros que, à primeira vista, podem parecer apenas papéis velhos, mas, se examinados para além das aparências podem nos dizer algo sobre a prática docente do autor.

Esse aspecto, no trabalho que ora realizamos, foi apenas tangenciado por meio da imagem que Delgado construiu para si mesmo e da “fala” de seus livros já impressos, portanto, expurgados, pelo corpo de profissionais das editoras responsáveis pela sua publicação, das marcas do trabalho do professor. Essas marcas possivelmente darão margem para contar muitas outras histórias sobre o “pardal de Clio.”

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Patricia Bastos: “História Ensinada: produção de sentido em práticas de letramento”

Em maio de 2011 ocorreu a defesa de Tese de Patricia Bastos Azevedo, sob a orientação da professora Ana Maria Monteiro, professora da UFRJ e participante do Grupo de Pesquisa Oficinas de História. O título de sua tese é “História Ensinada: produção de sentido em práticas de letramento”. A professora falou sobre a experiência. Leia abaixo.

 

“No dia 22 de junho de 2011 defendi a tese ‘História ensinada: produção de sentido em práticas de letramento’, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fui orientada pela professora Drª Ana Maria Monteiro.

Minha questão inicial buscou compreender uma queixa freqüente apresentada pelos professores de história “Os alunos não sabem ler e escrever”. Como professora de didática do ensino de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro, essa questão se desdobrou em uma preocupação de ordem prática: como posso contribuir para a formação dos futuros professores de história? Nesta trilha fui a uma sala de aula do 6º ano de escolaridade, no município de Nova Iguaçu, e acompanhei durante o ano de 2009 as aulas de um professor de história, buscando compreender as práticas de letramento que se efetivavam em sua aula. No campo de pesquisa uma nova questão se formou: a produção de sentido.

Compreendi que as práticas de leitura e escrita que ocorriam naquela sala de aula estavam constituídas pelo sentido que o professor buscava dar ao ensinada. A leitura e a escrita mudavam substancialmente das práticas realizadas nas séries iniciais. O professor, em nosso campo de pesquisa, usava a leitura e a escrita como meio para ensinar história. Na sala de aula investigada a leitura e a escrita era compreendida pelo professor como um saber pronto, e que o aluno possuía condições de ler e compreender a historiografia escolar e os exercícios aplicados, tendo esta compreensão como pressuposto o professor também acreditava que os alunos a partir das aulas expositivas possuiriam condições de produzir respostas de forma independente, principalmente nas avaliações.

Gostaria de destacar que a compreensão deste professor não é um fato isolado, ela também habita outros espaços educacionais, inclusive o universitário. Ler e escrever são processos sociamente construídos, neste sentido em cada espaço social a leitura e a escrita são compreendida e realizadas de forma singular. Uma das funções do professor, em no caso específico de nossa tese, é letrar o aluno em história. Neste sentido pesquisas que possuam a interlocução história/ensino/letramento são fundamentais para refletir sobre essa tríade, e como desdobramento em diálogo com a extensão universitária propor projetos e ações que tenham como foco este conjunto de temáticas e sua interseção.”

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