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Lana Mara Castro Siman debate didática do ensino de história

A professora Lana Mara Castro Siman foi a convidada do 2º encontro do Ciclo de Debates Oficinas de História 2012. Siman é doutora em Didática da História pela Université Laval / Canadá, professora de História da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), do corpo permanente do Mestrado em Educação dessa mesma instituição e ainda professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente, desenvolve o projeto “Professores de História levam seus alunos a Museus: entre Concepções e Práticas de Educar pela memória e História”, coordena o projeto “Memória dos Ofícios” e coordena, em parceria, o Labepeh (Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre o Ensino da História UFMG).

De especial interesse para o Ciclo de Debates Oficinas de História, Siman tem pesquisas acumuladas com ênfase na aprendizagem em história ao longo dos últimos anos: sobre o desenvolvimento do raciocínio histórico pelas crianças, o papel das interações dialógicas na formação de conceitos históricos, os usos dos Livros Didáticos de História, a aprendizagem da leitura de textos históricos escolares e os desafios para a formação docente.

Lana tem longa experiência na área de formação de professores com ênfase em Ensino de História, atuando principalmente nos seguintes campos: ensino-aprendizagem, currículo, cultura, saberes e práticas escolares e não escolares, história e práticas de leitura e educação para o patrimônio. Coordenou a Reforma do Ensino de História da SEEMG (2005-2006) e é co-autora das Diretrizes Curriculares Nacionais de História para o Ensino Médio (2006). Participa da rede de correspondentes internacionais da Revista Le cartable de Clio (Suíça) e do Conselho Editorial da Revista ÍBER de Ciencias Sociais (Espanha).

O encontro do dia 9 de maio de 2012 do Ciclo de Debates Oficinas de História foi realizado na Faculdade de Formação de Professores da UERJ – FFP. Lana Mara Castro Siman tratou do tema “Aprender a pensar historicamente: entre cognição e sensibilidades”.

Os interessados em participar dos próximos encontros, para além dos componentes do Grupo de Pesquisa Oficinas de História, devem enviar email para oficinasdehistoria@gmail.com, a título de reserva de lugar na sala. Caso desejem certificado de participação, devem enviar seu nome completo e manifestar explicitamente seu interesse no certificado.

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O fim do plano B: coluna ‘Em tempo’ de Keila Grinberg, na Ciência Hoje, aborda a questão da formação de professores de história

A pesquisadora Keila Grinberg, do Grupo Oficinas de História, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), mantém uma coluna no site da revista Ciência Hoje, a “Em tempo“. Segundo o site da revista, a coluna “é publicada na segunda sexta-feira do mês, desde outubro de 2008. Seus textos discutem temas ligados à história, sem perder de vista a perspectiva do tempo presente”.

A questão da formação de professores em universidades brasileiras e norte-americanas é o tema da última edição da coluna, que leva o título “Historiadores para quê“. “À luz do debate que sacode o campo de história estadunidense sobre a função social dos historiadores, Keila Grinberg contrapõe, em sua coluna de março, as expectativas do graduando em história no Brasil e a realidade que ele encontra depois de formado. A reflexão sugere um novo direcionamento profissional nos cursos de pós-graduação na área”. Conforme escreve a autora:

“Em outubro de 2011, Anthony Grafton, presidente da Associação Americana de História, e Jim Grossman, diretor-executivo da entidade, escreveram o artigo ‘No more plan B’ (Não mais plano B, em tradução livre), defendendo que as chamadas carreiras alternativas, principalmente no campo do ensino e da história pública, não deveriam ser mais o plano B dos recém-doutores na área de história, mas sim o caminho principal. (…) O artigo caiu como uma bomba no meio acadêmico. Houve quem criticasse, dizendo que Grafton só defendia essas ideias por ser, ele próprio, professor de Princeton, uma das universidades de pesquisa mais prestigiadas dos Estados Unidos. Mas prefiro entrar na fila dos que aplaudiram, como Claire Potter e Thomas Bender, ambos professores da Universidade de Nova Iorque.”

Para enviar críticas, comentários e sugestões sobre os textos publicados na coluna: keila@pobox.com

Historiadores pra quê?

Por: Keila Grinberg

Publicado em 09/03/2012 | Atualizado em 09/03/2012

Pergunte a qualquer estudante de pós-graduação em história no Brasil o que ele quer ser quando defender, e a resposta vai ser quase sempre a mesma: professor universitário. Nos Estados Unidos também é assim. Mas a realidade dos doutores recém-formados tem sido bem diferente da expectativa. Com a crise econômica, a maioria, quando acha emprego, acaba trabalhando em museus, escolas e outros lugares tidos como de menor prestígio.

A redução de vagas no mercado de trabalho universitário para a área de humanidades – o que, aliás, acontece nos Estados Unidos desde a década de 1970 – é a provável razão por trás da grande discussão sobre os programas de pós-graduação em história e a função social dos historiadores que está sacudindo o campo desde outubro do ano passado naquele país. Ainda que a motivação seja mesmo esta, ela está vindo para o bem.

Em outubro de 2011, Anthony Grafton, presidente da Associação Americana de História, e Jim Grossman, diretor-executivo da entidade, escreveram o artigo “No more plan B” (Não mais plano B, em tradução livre), defendendo que as chamadas carreiras alternativas, principalmente no campo do ensino e da história pública, não deveriam ser mais o plano B dos recém-doutores na área de história, mas sim o caminho principal. E isto não apenas porque falta vaga no mercado, mas porque os historiadores devem rever a sua relação com a sociedade, deixando de ver a si mesmos apenas como profissionais que pesquisam e ensinam dentro da universidade.

O artigo caiu como uma bomba no meio acadêmico. Houve quem criticasse, dizendo que Grafton só defendia essas ideias por ser, ele próprio, professor de Princeton, uma das universidades de pesquisa mais prestigiadas dos Estados Unidos. Mas prefiro entrar na fila dos que aplaudiram, como Claire Potter e Thomas Bender, ambos professores da Universidade de Nova Iorque.

De maneiras diferentes, os dois defendem uma mudança radical no ensino universitário de história: Bender, para recuperar o comprometimento dos intelectuais com a vida pública que marcou a formação universitária na área de humanidades no século 19; e Potter, para defender que o trabalho do historiador no século 21 deve ser feito em conjunto e acessível ao grande público, um modelo radicalmente diferente daquele do pesquisador solitário, em vigor no século passado, que escreve somente para seus pares.

Segundo Potter, os historiadores, para dar conta das novas tecnologias, das variadas formas de divulgação dos resultados de suas pesquisas, e para estar em dia com a produção acadêmica internacional, deve trabalhar em conjunto com outros historiadores. E isto vale também para o ensino e para um diálogo mais igualitário e engajado com o público (que, nas universidades do Brasil, poderíamos chamar de extensão).

Nisto não há muita novidade, a não ser a constatação, comum a ambos, de que o ensino universitário de história está muito longe de prover as competências necessárias para que os recém-formados possam se adequar aos novos tempos do mundo real. As disciplinas existentes na maioria dos cursos de pós-graduação em história são orientadas tão somente para a especialização excessiva e para a pesquisa individual.

Perda total

No Brasil, estamos no mesmo barco. A diferença é que a Associação Americana de História acabou de se engajar em um grande projeto de reflexão sobre a profissão, que, nos próximos três anos, vai estudar e discutir os currículos de várias universidades dos Estados Unidos.

Enquanto isso, aqui, são pouquíssimos os cursos de graduação em história que têm disciplinas como “Patrimônio” ou “Relações internacionais” em seus currículos. Candidatos a historiadores pouco estagiam em museus ou em centros culturais. Mesmo a área de ensino de história na educação básica é frequentemente neglicenciada. O resultado disso é que a maioria dos graduados na área foge das salas de aula dos ensinos fundamental e médio e nenhum curso de pós-graduação se dedica a formar professores para a educação básica.

Dos 63 cursos de mestrado e doutorado existentes na área de história no início de 2012 no Brasil, apenas dois são mestrados profissionais, um dos quais especializado em bens culturais e projetos sociais. Nenhum é devotado ao ensino de história.

Para se ter uma ideia do contraste com outras áreas, existem hoje 72 cursos de pós-graduação no Brasil dedicados exclusivamente ao ensino de ciências – física, química, biologia, ciências da terra – e matemática, entre mestrado profissional (39), mestrado acadêmico e doutorado.

Da mesma maneira, a produção acadêmica resultante de trabalhos realizados em conjunto é frequentemente desvalorizada. Por decisão dos próprios historiadores, os livros didáticos – realizados necessariamente em equipe – não são considerados pela Capes como produção intelectual qualificada, item de fundamental importância na avaliação dos programas de pós-graduação.

O mesmo vale para textos escritos em parceria, principalmente se a coautoria for entre aluno e professor – há quem desconfie que ou o professor se aproveita do trabalho do aluno ou o aluno se aproveita do prestígio do professor para publicar – e para o conhecimento divulgado em outros meios que não a palavra escrita, como filmes e sites.

A flagrante competição entre os programas de pós-graduação – têm mais recursos e bolsas de estudos aqueles cujos professores têm produção acadêmica considerada mais qualificada – completa o quadro.

Daí não ser de espantar que a maioria dos pesquisadores da área de história só se dedique a escrever livros, artigos e capítulos para serem lidos por seus pares; que suas aulas sigam esse mesmo padrão; e que seus alunos tenham no horizonte apenas a restrita carreira acadêmica.

Seguindo esse padrão, perdemos todos: pesquisadores, professores e alunos; Perdem os programas de pós-graduação, viciados em produzir apenas o que é bem pontuado na avaliação da Capes; perdem os alunos universitários, que têm uma formação voltada para um trabalho que dificilmente exercerão e que deixam de ser qualificados em competências que fatalmente deverão desenvolver.

E perde o público, ávido por ler bons livros, ver bons filmes, frequentar bons museus e navegar em bons sites de história.

 

 

 

Fotos reproduzidas do site da Ciência Hoje.

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Conheça a programação do Ciclo de Debates 2012 do Grupo Oficinas de História

O tema do ensino de história está na pauta de debates do Grupo de pesquisa Oficinas de História, registrado no CNPq, entre seus componentes e convidados de diferentes partes do Brasil. Desde 2007, o Grupo realizou diversos seminários que geraram livros publicados que refletem as discussões desses seminários e do próprio grupo na interface entre o ensino de história e a historiografia.

Neste momento, o grupo dá prosseguimento ao ciclo de debates que se iniciou em julho de 2011 e irá até agosto de 2012, em que têm sido recebidos especialistas que exploram o campo do ensino de história em algum de seus aspectos e possibilidades de pesquisa. São convidados do Brasil e do exterior para apresentar suas ideias acerca dos temas que contribuem  para elucidar aspectos das fronteiras em que se encontram os estudos sobre o ensino de história. Tais contribuições resultarão futuramente em um novo livro organizado pelo grupo, juntamente com textos produzidos pelos componentes que versem sobre os temas propostos, a partir de realização de seminário interno.

A primeira convidada deste ano, em encontro realizado em março, na Faculdade de Educação da UFRJ, foi a professora Dra. Maria Auxiliadora Schmidt (UFP), abordando o tema “Consciência histórica e aprendizagem: teoria e pesquisa”. A próxima convidada será Lana Mara de Castro Siman (UEMG), e o evento acontecerá em maio.

Os encontros visam ter como público o próprio grupo presente no Rio de Janeiro, pesquisadores e estudantes. Os interessados em participar de algum encontro do ciclo 2012 deve mandar uma solicitação ao contato do site: oficinasdehistoria.com.br, para reserva.

Programação 2012

1º encontro (20/03/2012, 13h30min):
Local: Universidade Federal do Rio de Janeiro – Faculdade de Educação – sala 220
Profa. Dra. Maria Auxiliadora Schmidt (UFP).
Consciência histórica e aprendizagem: teoria e pesquisa.

2º Encontro (09/05/2012, 13h30min):
Local: UERJ-FFP São Gonçalo (miniauditório)
Prof. Dra. Lana Mara de Castro Siman (UEMG)
Aprender a pensar historicamente: entre cognição e sensibilidades

3º Encontro (12/06/2012, 13h30min):
Local: Puc-Rio
prof. Dr. Kazumi Munakata (PUC- SP)
História, Consciência Histórica e Ensino de História

4º Encontro (14/08/2012, 13h30min)
Prof. Federico Guillermo Lorenz
El problema de la verdad en la enseñanza del pasado reciente

Realização: Grupo de Pesquisa Oficinas de História

Conheça os pesquisadores do Grupo Oficinas de História

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Lançamento dia 15 no Rio: ‘Aprender com a história?’ e ‘Escrever vidas, narrar a história’

Os livros “Aprender com a história? O passado e o futuro de uma questão“, sob organização de Fernando Nicolazzi, Helena Miranda Mollo e Valdei Lopes De Araujo, e “Escrever vidas, narrar a história: A biografia como problema historiográfico no Brasil oitocentista“, de autoria de Maria Da Glória De Oliveira, serão lançados no Rio de Janeiro na quinta-feira, às 19 horas do dia 15 de março, à livraria Blooks, na Praia de Botafogo. Os dois livros são obras publicadas pela FGV Editora.

O livro de Maria da Glória de Oliveira, tese de doutorado que deu origem ao título e que recebeu o prêmio Anpuh-Rio de História de 2010, é um dos melhores exemplos das transformações e da vivacidade do campo da história da historiografia no Brasil. Segundo o site da editora, a “autora constrói com os textos um conjunto muito estruturado e novo de problemas que nos ajuda a pensar a experiência moderna no Brasil do século XIX e além”.

O mesmo site divulga o outro título da seguinte forma: “‘Aprender com a história? O passado e o futuro de uma questão’ é resultado de uma provocação feita aos autores pela organização do III Seminário Nacional de História da Historiografia, realizado em 2009 em Mariana, na Universidade Federal de Ouro Preto. É possível aprender com a história? O que se aprende e como isso é feito? Essas perguntas têm recebido diversas e, muitas vezes, polêmicas respostas. Aqui, o tema é abordado de diferentes perspectivas, desde as clássicas afirmações de uma ‘historia magistra vitae’, passando pelas filosofias e ciências da história até o enfrentamento das diversas crises de legitimação da historiografia. Em outras palavras, este livro é a materialização do debate em torno do aprendizado que podemos retirar da e na história”.

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Projeto ‘Caixa de História’ ganha registro no boletim da FAPERJ

O projeto Caixa de História e sua implementação em São Gonçalo ganharam destaque no Boletim On-Line da FAPERJ. A matéria assinada por Danielle Kiffer traz falas de Helenice Rocha, pesquisadora do Grupo Oficinas, que esclarece os objetivos do projeto:

“Com o projeto ‘Caixa de Histórias – Conhecer e Criar’, queremos que o professor conte com um recurso que possa adaptar ao dia a dia dos alunos da rede pública. Para isso, foram feitas oficinas para professores e acompanhamos seu uso nas escolas durante o ano letivo de 2011”, explica a pesquisadora. Isso aconteceu na Escola Municipal Anísio Spíndola Teixeira, em Santa Luzia, bairro de São Gonçalo. “O projeto contou com dois professores da escola e dois bolsistas da graduação em História. Em seu trabalho, eles desenvolveram novos materiais, como uma apresentação sobre a fazenda Colubandê, que já era descrita em uma crônica, numa das atividades propostas pela caixa.”

O texto apresenta o projeto: “Material didático desenvolvido por pesquisadores da Uerj, a Caixa de História contribui em várias atividades com diferentes formas de aprender História. Além disso, desperta a curiosidade dos alunos e traz até eles a história do lugar onde vivem. (…) Helenice e a equipe de pesquisadores já desenvolveram caixas para três municípios fluminenses: São Gonçalo, Itaboraí e Magé. ‘Nosso objetivo é produzir caixas para diferentes municípios do Rio de Janeiro, apresentando o material produzido para os professores que trabalham nas escolas da rede pública’, conta. Segundo a professora, esse conjunto de documentos, fotos e dados contribui para a construção de identidades locais e torna o aprendizado mais leve e divertido.”


 
 
 
Você pode conhecer mais sobre o projeto – financiado pela Faperj – Caixa de História: conhecer e criar através do blog http://projetocaixadehistoria.blogspot.com/. Já as Caixas de História, que têm a concepção de Luís Reznik, podem ser melhor conhecidas aqui no próprio site do Grupo Oficinas de História.

 
 
 
Veja também: Grupo Oficinas no Projeto Pibid Capes/ Uerj
Conheça os demais projetos do Grupo Oficinas de História
 
 
 

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