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Novidades no Portal OFICINAS DE HISTÓRIA

Estamos empurrando cadeiras, abrindo espaço e arrumando a área Experiência do Professor e a partir de agora ela se chamará “Falando sobre ensino…” e será também um espaço para expor a opinião, análise e debate de nossos colaboradores acerca de temas relacionados ao ofício do historiador/professor.

Para inaugurar o espaço temos a contribuição da Professora de Prática de Ensino e Pesquisa em História na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Maria Lima discorrendo sobre os motivos e impactos do fim da obrigatoriedade do ensino de História no Ensino Médio.

Entrem. Vamos conversar.

Fiquem à vontade.

 

 

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Entre o passado e o futuro do ensino de História

Maria Lima
(Profa. Adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Ensino de História (GEPEH/UFMS)

O fim da obrigatoriedade do ensino de História no Ensino Médio, decretado pela MP 746, que acaba de ser homologada, exacerba os ditames de uma ordem em que nossa relação com o tempo tem sido esfacelada brutalmente. Dá visibilidade também aos esforços para apagamento das perspectivas de futuro que implicam necessariamente na quebra de relações com o passado, na destruição do testamento, consagrando nossa imersão total em um tempo do presente eterno.
Inserida no contexto das Reformas da Educação que vêm ocorrendo no Brasil e na América Latina desde fins da década de 1980, a Reforma do Ensino Médio deve ser analisada como parte do processo muito maior de reconfiguração das relações trabalhistas a partir das diretrizes internacionais do mercado financeiro calcadas em teses neoliberais. Elas têm sido defendidas e impostas com afinco desde 1979, a partir do governo de Tatcher na Inglaterra e de Reagan nos Estados Unidos (1980), e impuseram-se como normalidade nas décadas seguintes na América Latina e no mundo, incrementando a concentração de renda e o aumento da miséria. Frente a tal projeto, ontem, como hoje, o que se prevê é a inserção dos jovens, de forma calada e submissa, em um mercado de trabalho castrador, produtor e reprodutor de miséria, material e emocional.
A Reforma encontra-se filiada também à resolução no 8, de 1º de dezembro de 1971, que instituiu as disciplinas de Estudos Sociais e de Organização Social e Política do Brasil (OSPB), dada a ênfase, naquele momento, na profissionalização compulsória imposta às classes populares como estratégia para formar e “qualificar” a força de trabalho.
A retirada da obrigatoriedade articula-se também ao crescimento do Movimento Escola Sem Partido e aos ataques constantes que os conteúdos veiculados pelos livros didáticos de História têm sofrido. Ressalto aquele liderado por Ali Kamel, representante das maiores empresas privadas de comunicação no país, contra o livro da Editora Nova Geração, de autoria de Mário Schmidt e intitulado Nova História Crítica. A campanha difamatória, empreendida por Kamel desde 2007, ajudou a tornar corrente a ideia de que os livros de História distribuídos pelo governo são tendenciosos e divulgadores de doutrina comunista.
Elementos como esses tornam evidente que, ontem, como hoje, não podemos abrir mão do direito à História. E nem do direito das gerações vindouras. A História, e o seu ensino, é o lugar por excelência em que a reflexão sobre nossa identidade é instituída. Em seu âmbito, conhece-se o passado, atribuindo-se sentido à vida no presente e tornando possível a necessária reflexão sobre o futuro. O pensamento histórico, como elemento inerente à existência humana impõem-se e sobrepõem-se à escola, estando presente em todas as instituições sociais, como a família, a Igreja ou o sindicato. Mas é na escola que seu desenvolvimento em uma perspectiva mais abrangente e crítica se torna possível.
Por mais que a História ensinada não atenda às nossas expectativas, e mesmo frente às dificuldades em tentar mudar uma perspectiva eurocêntrica, preconceituosa, excludente, misógina e elitista (vajam-se as reações e os confrontos travados frente à tímida tentativa de fazê-lo no âmbito da formulação da BNCC), ou o avanço da onda privatista (observe-se, por exemplo, a expansão do sistema apostilado nas redes públicas em todo o país) desistir de sua presença na escola não é uma opção.

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AGENDA: 28 de março de 2017 – Lançamento do livro

Identidades, memórias e projetos políticos

A Livraria da FGV situada em Botafogo no Rio de Janeiro convida para uma noite agrável de troca de ideias e autógrafo com os autores do livro.
Organizador(es):
Helenice Aparecida Bastos Rocha, Ismênia De Lima Martins

Apresentação

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Professor Fernando Penna e o Movimento Escola Sem Partido

Prof. Fernando Penna, professor adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, atuando no departamento de Sociedade, Educação e Conhecimento (SSE – FE – UFF) discursa sobre pontos, questões e desinformações acerca do “Escola sem partido” em audiências públicas na Câmara dos Deputados.

Para maiores informações sobre o debate veja nesta página.

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Professores e alunos (Re)Descobrem a história local de Irajá.

Com a proximidade das comemorações do Jubileu de Ouro da Escola Municipal Mendes Viana situada no subúrbio carioca de Irajá o professor Fábio de Jesus Carvalho se propôs em montar a exposição “Irajá 400 anos nos 50 anos da Mendes Viana” que contou um pouco da história do bairro e da escola.

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

Professor Fábio, se apresente por favor:
Sou licenciado em História pela Universidade Gama Filho, especialista em Psicopedagogia Institucional pela Universidade Cândido Mendes e, atualmente, mestrando em Ensino de História pelo programa PROFHistória (UERJ). Atuo na rede pública de ensino desde 2007 (Prefeitura do Rio de Janeiro e Duque de Caxias).
Como surgiu a ideia da exposição?
Desde que comecei a atuar no magistério percebo que o interesse das turmas é maior quando iniciamos os estudos a partir de suas histórias de vida e a história local. Sempre me preocupei em trazer para os alunos um pouco da história da cidade, do bairro e entrelaçar tudo com a história mais global, digamos assim. Ao chegar na escola Mendes Viana, em Irajá, percebi que havia uma potencialidade grande ali. Éramos todos ignorantes (corpo docente e alunos) quanto a história local e a própria história da Mendes que completava 50 anos de existência (01/09/1966).  Irajá tem uma das igrejas mais antigas do Rio,a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, foi importante freguesia produtora de cana-de-açúcar no período colonial e depois grande área produtora de gêneros alimentícios. Assim sendo, vi que havia um potencial histórico importante ainda pouco explorado. Fiz contato com um coletivo local chamado Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá (IHGBI), que reúne pesquisadores com diversas formações que possuem materiais maravilhosos sobre a região. Assim, reunimos fotos antigas do local. E fiz um trabalho de regate de memória, junto aos alunos de 9º ano, da Mendes Viana. Ex-alunos/as visitaram a escola e deixaram depoimentos. Alguns trouxeram fotos e pistas para este resgate do passado. A culminância foi uma exposição aberta a toda a comunidade. Afinal, eles  ajudaram a construí-la ao longo do ano. 

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

 

 

Qual foi o papel da comunidade escolar (equipe diretiva e pedagógica, outros docente, discentes, pais e responsáveis) nesse processo?
Digo sempre que tenho muita sorte de estar nesta unidade escolar, porque eles sempre compram as minhas ideias. E vestem a camisa. Abrimos a escola num sábado para isso acontecer. Direção (professores Carlos e Sheylla), coordenação (professora Elizete Alves) e funcionários de apoio movimentaram tudo. Dos colegas de corpo docente tive apoio de vários. Alguns colegas afastados da escola por licença ou mudança de unidade, por exemplo, divulgaram o evento nas redes e foram prestigiar a abertura. A ideia de uma vernissage para abrir a exposição foi do professor de matemática, o Gonzaga. Os amigos de artes visuais e música, Mauro e Héber,  foram fundamentais pois criaram um estandarte comemorativo e revitalizaram o hino da escola. Os alunos, como já disse, fizeram coleta de material e alguns nos ajudaram a arrumar a sala no dia anterior. Boa parte destes alunos é ligada à sala de leitura que fica sob responsabilidade do prof. Vitório. Os pais, neste primeiro momento, participaram só no fim, mas já ficaram interessados em contribuir com o acervo já que boa parte é ex-aluno. Esta exposição foi um filho que teve muitos pais além de mim. Gente fundamental para o sonho se tornar realidade. Agradeço muito ao professor doutor Joaquim Justino, da UniRIO,  que foi falar um pouco sobre sua tese sobre a formação dos subúrbios de Irajá e Inhaúma.  Aliás, este professor foi um dos fundadores do IHGBI e meu professor na graduação.
 Alguma dificuldade para produzir a exposição?
Sim.  A dificuldade de encontrar material. Infelizmente, não é simples encontrar fontes sobre a história dos subúrbios do Rio. Não fosse o acervo dos memorialistas locais e a documentação da escola,  a exposição não teria ocorrido. E a questão do espaço. Estávamos há mais de um ano sem quadra. 
 
Teve algum desdobramento para a sala de aula antes ou depois da montagem da exposição?
Bem, antes da exposição tivemos rodas de conversa com ex-alunos dos anos 60 e 80 como disse. Estes alunos contavam sua infância passada na escola e no bairro. Assim o atual corpo discente pode observar as mudanças e permanências e estabelecer diálogos entre o presente e o passado. Ainda estamos trabalhando. Pretendemos manter este “eco” da exposição reverberando até setembro de 2017 quando fechamos o ciclo de comemorações de nosso Cinquentenário.

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

Como foi a recepção dos alunos?
De maneira geral foi muito positiva. Eles gostaram. Elogiaram, se admiraram de ver a história de seu lugar sendo investigada. Foi o pontapé inicial para incentivarmos mais e mais o protagonismo juvenil em nossa escola. Estimulamos a autonomia, por exemplo, na hora da condução das entrevistas com ex-alunos, como e o que filmar, o que perguntar…tudo ficou por conta deles. Demos câmeras na mão dos alunos e eles cuidaram bem. Nada sumiu, nada se quebrou e o trabalho foi feito. Isso foi maravilhoso. Construção de identidade e pertencimento em nossa comunidade. 

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