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Lançamento de Livro em 2016

Identidades, memórias e projetos políticos

Organizador(es): Helenice Aparecida Bastos Rocha, Ismênia De Lima Martins

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Mestre Dr. Fernando Penna e o Movimento Escola Sem Partido

Prof. Fernando Penna na Audiência Pública sobre o “escola sem partido” (Senado Federal 16/11/2016)

 

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Professores e alunos (Re)Descobrem a história local de Irajá.

Com a proximidade das comemorações do Jubileu de Ouro da Escola Municipal Mendes Viana situada no subúrbio carioca de Irajá o professor Fábio de Jesus Carvalho se propôs em montar a exposição “Irajá 400 anos nos 50 anos da Mendes Viana” que contou um pouco da história do bairro e da escola.

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

Professor Fábio, se apresente por favor:
Sou licenciado em História pela Universidade Gama Filho, especialista em Psicopedagogia Institucional pela Universidade Cândido Mendes e, atualmente, mestrando em Ensino de História pelo programa PROFHistória (UERJ). Atuo na rede pública de ensino desde 2007 (Prefeitura do Rio de Janeiro e Duque de Caxias).
Como surgiu a ideia da exposição?
Desde que comecei a atuar no magistério percebo que o interesse das turmas é maior quando iniciamos os estudos a partir de suas histórias de vida e a história local. Sempre me preocupei em trazer para os alunos um pouco da história da cidade, do bairro e entrelaçar tudo com a história mais global, digamos assim. Ao chegar na escola Mendes Viana, em Irajá, percebi que havia uma potencialidade grande ali. Éramos todos ignorantes (corpo docente e alunos) quanto a história local e a própria história da Mendes que completava 50 anos de existência (01/09/1966).  Irajá tem uma das igrejas mais antigas do Rio,a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, foi importante freguesia produtora de cana-de-açúcar no período colonial e depois grande área produtora de gêneros alimentícios. Assim sendo, vi que havia um potencial histórico importante ainda pouco explorado. Fiz contato com um coletivo local chamado Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá (IHGBI), que reúne pesquisadores com diversas formações que possuem materiais maravilhosos sobre a região. Assim, reunimos fotos antigas do local. E fiz um trabalho de regate de memória, junto aos alunos de 9º ano, da Mendes Viana. Ex-alunos/as visitaram a escola e deixaram depoimentos. Alguns trouxeram fotos e pistas para este resgate do passado. A culminância foi uma exposição aberta a toda a comunidade. Afinal, eles  ajudaram a construí-la ao longo do ano. 

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

 

 

Qual foi o papel da comunidade escolar (equipe diretiva e pedagógica, outros docente, discentes, pais e responsáveis) nesse processo?
Digo sempre que tenho muita sorte de estar nesta unidade escolar, porque eles sempre compram as minhas ideias. E vestem a camisa. Abrimos a escola num sábado para isso acontecer. Direção (professores Carlos e Sheylla), coordenação (professora Elizete Alves) e funcionários de apoio movimentaram tudo. Dos colegas de corpo docente tive apoio de vários. Alguns colegas afastados da escola por licença ou mudança de unidade, por exemplo, divulgaram o evento nas redes e foram prestigiar a abertura. A ideia de uma vernissage para abrir a exposição foi do professor de matemática, o Gonzaga. Os amigos de artes visuais e música, Mauro e Héber,  foram fundamentais pois criaram um estandarte comemorativo e revitalizaram o hino da escola. Os alunos, como já disse, fizeram coleta de material e alguns nos ajudaram a arrumar a sala no dia anterior. Boa parte destes alunos é ligada à sala de leitura que fica sob responsabilidade do prof. Vitório. Os pais, neste primeiro momento, participaram só no fim, mas já ficaram interessados em contribuir com o acervo já que boa parte é ex-aluno. Esta exposição foi um filho que teve muitos pais além de mim. Gente fundamental para o sonho se tornar realidade. Agradeço muito ao professor doutor Joaquim Justino, da UniRIO,  que foi falar um pouco sobre sua tese sobre a formação dos subúrbios de Irajá e Inhaúma.  Aliás, este professor foi um dos fundadores do IHGBI e meu professor na graduação.
 Alguma dificuldade para produzir a exposição?
Sim.  A dificuldade de encontrar material. Infelizmente, não é simples encontrar fontes sobre a história dos subúrbios do Rio. Não fosse o acervo dos memorialistas locais e a documentação da escola,  a exposição não teria ocorrido. E a questão do espaço. Estávamos há mais de um ano sem quadra. 
 
Teve algum desdobramento para a sala de aula antes ou depois da montagem da exposição?
Bem, antes da exposição tivemos rodas de conversa com ex-alunos dos anos 60 e 80 como disse. Estes alunos contavam sua infância passada na escola e no bairro. Assim o atual corpo discente pode observar as mudanças e permanências e estabelecer diálogos entre o presente e o passado. Ainda estamos trabalhando. Pretendemos manter este “eco” da exposição reverberando até setembro de 2017 quando fechamos o ciclo de comemorações de nosso Cinquentenário.

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

Como foi a recepção dos alunos?
De maneira geral foi muito positiva. Eles gostaram. Elogiaram, se admiraram de ver a história de seu lugar sendo investigada. Foi o pontapé inicial para incentivarmos mais e mais o protagonismo juvenil em nossa escola. Estimulamos a autonomia, por exemplo, na hora da condução das entrevistas com ex-alunos, como e o que filmar, o que perguntar…tudo ficou por conta deles. Demos câmeras na mão dos alunos e eles cuidaram bem. Nada sumiu, nada se quebrou e o trabalho foi feito. Isso foi maravilhoso. Construção de identidade e pertencimento em nossa comunidade. 

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Helenice Rocha faz um balanço do encontro com Kazumi Munakata pelo Ciclo de Debates

Em junho tivemos um encontro com Kazumi Munakata pelo Ciclo de Debates com os componentes do Grupo de Pesquisa Oficinas de História e ainda tivemos a presença do professor Ilmar R. de Mattos, para felicidade geral.

Pela manhã, Kazumi conversou com um pequeno grupo de pesquisadores sobre seu projeto atual, em andamento, que envolve outros pesquisadores e orientandos, sobre a cultura material escolar do início do século XX como fonte para pensarmos a mudança de paradigma educacional ocidental. Ele sintetiza como “educação pelos sentidos”, quando a experimentação se torna predominante na escola, substituindo a importância do discurso verbal.  Mostrou-se um belo e ambicioso projeto.

À tarde, para uma audiência de aproximadamente vinte pessoas, ele discorreu sobre o texto que nos enviou e procurou aprofundar alguns dos pontos, especialmente discutindo possíveis fragilidades dos textos e proposta de consciência histórica de Rüsen. Após sua fala, a pesquisadora do grupo, Rebeca Gontijo Teixeira fez uma intervenção, discordando da crítica à teorização sem exemplicação (prova) de Rüsen, Angela de Castro Gomes procurou saber como o autor (Rüsen) trata a memória na formação da consciência histórica. Helenice procurou fazer uma interrelação entre as diferentes falas já apresentadas no ciclo e a preocupação que demonstra uma parte dos pesquisadores do ensino de história que atuam na área de educação e procuram manter seu vínculo com a história e nela, na historiografia, tentando “aplicar” (nem sempre de forma bem sucedida) conceituais e metodologias da história às questões da sala de aula.

Foi um dia bastante rico de discussões, como não poderia deixar de ser com um convidado tão inquieto, inclusive em suas ideias.

Abraços a todos,

Helenice Rocha

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VI Seminário Nacional de História da Historiografia acontecerá em agosto

O VI Seminário Nacional de História da Historiografia ocorrerá em agosto na UFOP, em Mariana. A pesquisadora do Grupo de Pesquisa Oficinas de História Márcia de Almeida Gonçalves coordena, junto com o Professor Alexandre Avelar, o Simpósio N 12: Histórias, dilemas e prespectivas da escrita da História no mundo contemporâneo (Séculos XX e XXI. Como este Simpósio Temático atingiu o limite máximo de inscrições, os interessados devem entrar em contato pelo e-mail da secretaria do evento: pagamento_snhh@yahoo.com.br Confira a ementa:

“Ao longo do século XIX, em diversas sociedades européias e americanas, a história alcançou o estatuto de disciplina científica autônoma. Instauraram-se espaços particulares, fossem universidades, sociedades e institutos, onde o historiador, como especialista e profissional, na posse de um conjunto de regras e procedimentos metódicos controláveis, tornava o passado um objeto a ser decifrado e conhecido.

No curso do século XX, a cientificidade do saber histórico, sua natureza e implicações epistemológicas, foram alvos de indagações variadas, afetando sobremaneira a produção historiográfica. Os fundadores e seguidores dos Annales, de certa maneira ao lado dos que abraçaram os referenciais marxistas, puseram em xeque as práticas e concepções dos metódicos, ditos positivistas, sem, contudo, abrir mão do caráter científico e do postulado de verdade que alicerçava a legitimidade do discurso do historiador. Em paralelo, nos saberes designados como ciências sociais, proliferaram críticas aos “historicismos”, em revisões de temas e abordagens que, de formas diferenciadas, contribuíram para o valor cada vez maior da história social.

Em especial, nas sociedades européias, mudanças significativas emergiram após a Segunda Grande Guerra, afetando gerações de pensadores e intelectuais. Insere-se nessa conjuntura, um conjunto de formulações, em diálogo com as filosofias da linguagem – destaque para a filosofia analítica britânica – e com a lingüística de Saussure, que, a partir de meados da década de sessenta, culminaram no chamado giro lingüístico. As implicações epistemológicas do giro lingüístico se fizeram sentir nas dimensões mais diferenciadas do campo das humanidades. Entre outras ponderações, o conceito de “representação”, caro a muitas formulações que se queriam decifradoras das ações humanas no mundo, entre elas a historiografia, cedia espaço para o conceito de “significado”.

O VI Seminário Brasileiro de História da Historiografia possui como tema O Giro-lingüístico e a Historiografia: balanço e perspectivas e abre espaço neste simpósio para a apresentação de trabalhos e reflexões que o abordem e problematizem sob diversas perspectivas. Pode-se, dessa forma, por em questão os afastamentos e similitudes entre textos historiográficos e literários, tendo em mente, por exemplo, a polêmica causada pela “Meta-história” de Hayden White. Ou, em outras bases, redimensionar o que veio a ser designado como o “retorno da narrativa”, nas considerações de Lawrence Stone. Em relevo, igualmente, a obra referencial de Paul Ricoeur – “Tempo e narrativa” – e o balanço sobre seus impactos e apropriações no campo da teoria e da escrita da história. Importante, em escala proporcional, a obra de Michel Foucault e a avaliação sobre seu caráter revolucionário – no ponto de vista de Paul Veyne -, quanto à renovação da historiografia.

Nestes termos, e no diagnóstico de suas especificidades, cabe considerar idéias do pós-estruturalismo – na alusão a Roland Barthes -, do “desconstrucionismo” de Derrida, e da hermenêutica de Gadamer, no mapeamento das críticas à cientificidade da história e suas repercussões. Outra visada importante se refere às abordagens do que foi denominado de “guinada subjetiva”, nas palavras de Beatriz Sarlo, contemplando-se, entre outros aspectos, os lugares e usos dos estudos biográficos e autobiográficos e a dita renovação da história política. Os desdobramentos destas polêmicas estão na raiz da chamada crise dos paradigmas, cujos efeitos, nos diversos domínios da escrita história, estimulam o ato de repensar o ofício do historiador, bem como seus desafios éticos, no regime de historicidade presentista, de acordo com a formulação de François Hartog.

A reunião de pesquisadores de variadas filiações teóricas será bem vinda, na busca por uma significativa experiência de discussões, estimuladora do diálogo e do confronto entre diversos pontos de vista e perspectivas de análise.”

 

A pesquisadora Rebeca Gontijo Teixeira também estará presente com o Simpósio Temático “O Ensaio como Problema”. Abaixo, a ementa:

“Considerado como um gênero híbrido e impreciso, frequentemente situado entre a literatura e a ciência social, o “ensaio” oferece um desafio aos estudiosos da historiografia, sobretudo quando recebe o adjetivo “histórico”.

Essa associação de termos, particularmente observável a partir do século XIX, quando a escrita da história busca estabelecer limites disciplinares nos contextos nacionais, permite propor algumas questões num seminário cujo tema maior é o chamado “giro linguístico”. Uma delas é saber que relação existe entre gêneros de escrita e determinados contextos culturais. Por exemplo, entre o “ensaio histórico” e o Brasil do século XIX e da primeira metade do século XX; entre o ensaísmo e a instituição de “objetos” como o povo, a mulher, o lendário ou a revolução, na França do XIX; entre uma forma associada a uma escrita aberta e inconclusa e a especialização da pesquisa universitária.

Considerando o “ensaio histórico” menos como um gênero auto-evidente (na sua imprecisão) ou a demandar definição, e mais como um problema a ser tratado, propomos discutir – inspirados pela notória pergunta de Michel de Certeau (1974/1975) – o que o ensaísta faz quando faz ensaios, particularmente, os ensaios históricos? O que busca? O que produz?

Este simpósio temático acolherá estudos de caso, que focalizem ensaístas nacionais ou estrangeiros, bem como reflexões de ordem teórica sobre o ensaio enquanto gênero discursivo.”

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