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Norma Lucia da Silva fala sobre sua tese, orientada por Marieta de Moraes Ferreira

Em setembro passado a professora Norma Lucia da Silva defendeu sua tese de doutorado, sob orientação de Marieta de Moraes Ferreira, pesquisadora do Grupo Oficinas de História, na UFRJ. Graduada em História pela Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais (1999/2000), mestre em História Social também pela mesma universidade (2002), Norma foi professora do ensino fundamental e médio na rede pública de ensino de Uberlândia e atualmente é professora do Curso de História da Universidade Federal do Tocantins, onde coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino e Formação de Professores (NUFOR) no campus de Araguaína. Norma falou um pouco sobre sua pesquisa ao site do Grupo Oficinas de História.

O tema da tese:
“Minha tese de doutorado intitulada ‘Institucionalização do Ensino Superior de História e Profissionalização Docente no Interior do Brasil – Araguaína, TO (1985-2002)’ trata do processo de institucionalização do ensino superior de História na cidade de Araguaína, região norte do estado do Tocantins, pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Araguaína (FACILA), em 1985, e da profissionalização dos professores de História para os quadros da educação básica. O curso foi instituído, principalmente, para diplomar os professores que já atuavam no ensino primário e secundário e formar quadros para esses níveis de ensino. Assim, iniciou o seu funcionamento de forma bastante precária, não recebendo qualquer controle ou acompanhamento por parte do Ministério da Educação ou de órgãos similares no Estado, o que acarretou em um curso bastante deficiente, em termos estruturais e humano, ocasionando uma formação pouco consistente aos licenciandos, não gerando grandes transformações na estrutura e nas metodologias de ensino de ensino da educação básica.”

Discussões sobre o ensino de história:
“A pesquisa nas escolas públicas e as entrevistas com os professores de história nos levaram a refletir em que medida a formação superior dos professores acarreta mudanças na estrutura, funcionamento e nas práticas de ensino da educação básica. Observamos que os problemas desse nível de ensino vão muito além da questão da formação (ou má formação) dos professores. Nessa região, um dos maiores problemas observados foi a permanência da função do professor polivalente no ensino fundamental e médio. Como há um número reduzido de aulas de história, os professores acabam completando sua carga-horária com outras disciplinas. Isso faz com que não haja uma dedicação integral a sua área de formação, impedindo ou dificultando o processo de formação continuada.”

Contribuições para o ensino:
“Acredito que compreendendo os objetivos e as expectativas dos professores que buscam a formação superior seja possível compreender a cultura e o universo próprio da educação básica. Se no passado, o professor polivalente era uma questão de necessidade – por ser previsto na legislação e por não haver profissionais com habilitações específicas – na atualidade, trata-se muito mais de conveniências do que de necessidade propriamente. Conveniência dos governantes por interferir na vida escolar apenas por interesses políticos; dos gestores por pensarem muitas vezes na facilitação de sua gestão em detrimento da qualidade do ensino; dos professores que muitas vezes por comodidade preferem ministrar disciplinas que não são do seu domínio a completar carga-horária da sua área em outras escolas. Esse quadro revela que para ocasionar mudanças efetivas no ensino não basta a profissionalização/qualificação dos professores, mas de um conjunto de elementos relacionados à própria estrutura e funcionamento das escolas.”

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