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Professores e alunos (Re)Descobrem a história local de Irajá.

Com a proximidade das comemorações do Jubileu de Ouro da Escola Municipal Mendes Viana situada no subúrbio carioca de Irajá o professor Fábio de Jesus Carvalho se propôs em montar a exposição “Irajá 400 anos nos 50 anos da Mendes Viana” que contou um pouco da história do bairro e da escola.

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

Professor Fábio, se apresente por favor:
Sou licenciado em História pela Universidade Gama Filho, especialista em Psicopedagogia Institucional pela Universidade Cândido Mendes e, atualmente, mestrando em Ensino de História pelo programa PROFHistória (UERJ). Atuo na rede pública de ensino desde 2007 (Prefeitura do Rio de Janeiro e Duque de Caxias).
Como surgiu a ideia da exposição?
Desde que comecei a atuar no magistério percebo que o interesse das turmas é maior quando iniciamos os estudos a partir de suas histórias de vida e a história local. Sempre me preocupei em trazer para os alunos um pouco da história da cidade, do bairro e entrelaçar tudo com a história mais global, digamos assim. Ao chegar na escola Mendes Viana, em Irajá, percebi que havia uma potencialidade grande ali. Éramos todos ignorantes (corpo docente e alunos) quanto a história local e a própria história da Mendes que completava 50 anos de existência (01/09/1966).  Irajá tem uma das igrejas mais antigas do Rio,a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, foi importante freguesia produtora de cana-de-açúcar no período colonial e depois grande área produtora de gêneros alimentícios. Assim sendo, vi que havia um potencial histórico importante ainda pouco explorado. Fiz contato com um coletivo local chamado Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá (IHGBI), que reúne pesquisadores com diversas formações que possuem materiais maravilhosos sobre a região. Assim, reunimos fotos antigas do local. E fiz um trabalho de regate de memória, junto aos alunos de 9º ano, da Mendes Viana. Ex-alunos/as visitaram a escola e deixaram depoimentos. Alguns trouxeram fotos e pistas para este resgate do passado. A culminância foi uma exposição aberta a toda a comunidade. Afinal, eles  ajudaram a construí-la ao longo do ano. 

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

 

 

Qual foi o papel da comunidade escolar (equipe diretiva e pedagógica, outros docente, discentes, pais e responsáveis) nesse processo?
Digo sempre que tenho muita sorte de estar nesta unidade escolar, porque eles sempre compram as minhas ideias. E vestem a camisa. Abrimos a escola num sábado para isso acontecer. Direção (professores Carlos e Sheylla), coordenação (professora Elizete Alves) e funcionários de apoio movimentaram tudo. Dos colegas de corpo docente tive apoio de vários. Alguns colegas afastados da escola por licença ou mudança de unidade, por exemplo, divulgaram o evento nas redes e foram prestigiar a abertura. A ideia de uma vernissage para abrir a exposição foi do professor de matemática, o Gonzaga. Os amigos de artes visuais e música, Mauro e Héber,  foram fundamentais pois criaram um estandarte comemorativo e revitalizaram o hino da escola. Os alunos, como já disse, fizeram coleta de material e alguns nos ajudaram a arrumar a sala no dia anterior. Boa parte destes alunos é ligada à sala de leitura que fica sob responsabilidade do prof. Vitório. Os pais, neste primeiro momento, participaram só no fim, mas já ficaram interessados em contribuir com o acervo já que boa parte é ex-aluno. Esta exposição foi um filho que teve muitos pais além de mim. Gente fundamental para o sonho se tornar realidade. Agradeço muito ao professor doutor Joaquim Justino, da UniRIO,  que foi falar um pouco sobre sua tese sobre a formação dos subúrbios de Irajá e Inhaúma.  Aliás, este professor foi um dos fundadores do IHGBI e meu professor na graduação.
 Alguma dificuldade para produzir a exposição?
Sim.  A dificuldade de encontrar material. Infelizmente, não é simples encontrar fontes sobre a história dos subúrbios do Rio. Não fosse o acervo dos memorialistas locais e a documentação da escola,  a exposição não teria ocorrido. E a questão do espaço. Estávamos há mais de um ano sem quadra. 
 
Teve algum desdobramento para a sala de aula antes ou depois da montagem da exposição?
Bem, antes da exposição tivemos rodas de conversa com ex-alunos dos anos 60 e 80 como disse. Estes alunos contavam sua infância passada na escola e no bairro. Assim o atual corpo discente pode observar as mudanças e permanências e estabelecer diálogos entre o presente e o passado. Ainda estamos trabalhando. Pretendemos manter este “eco” da exposição reverberando até setembro de 2017 quando fechamos o ciclo de comemorações de nosso Cinquentenário.

Foto: Mauro Macedo, professor de Artes Visuais.

Como foi a recepção dos alunos?
De maneira geral foi muito positiva. Eles gostaram. Elogiaram, se admiraram de ver a história de seu lugar sendo investigada. Foi o pontapé inicial para incentivarmos mais e mais o protagonismo juvenil em nossa escola. Estimulamos a autonomia, por exemplo, na hora da condução das entrevistas com ex-alunos, como e o que filmar, o que perguntar…tudo ficou por conta deles. Demos câmeras na mão dos alunos e eles cuidaram bem. Nada sumiu, nada se quebrou e o trabalho foi feito. Isso foi maravilhoso. Construção de identidade e pertencimento em nossa comunidade. 
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