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Entrevista: Luis Fernando Cerri fala sobre consciência histórica em sua pesquisa e no livro que saiu pela FGV

Luis Fernando Cerri lançou pela Editora FGV o livro “Ensino de história e consciência histórica: implicações didáticas de uma discussão contemporânea”. A noção de consciência histórica tem se constituído em uma importante ferramenta para pensar as relações entre o conhecimento científico, produzido pelos acadêmicos, e a vida prática. Nesse sentido, a noção de consciência histórica permite rever questões fundamentais para professores e demais interessados nos usos sociais do conhecimento histórico. Através do livro, os leitores poderão ter acesso às principais contribuições que envolvem o tema, refletindo sobre o papel da História dentro e fora da escola.

Cerri possui graduação em História pela Universidade Estadual de Campinas (1992), mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1996) e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2000). Atualmente é professor associado da Universidade Estadual de Ponta Grossa, consultor das revistas Tempos Históricos (EDUNIOESTE), Publicatio UEPG. Tem experiência na área de História, com ênfase em ensino de História, atuando principalmente nos seguintes temas: história – estudo e ensino, identidade social, ensino de história, formação de professores de história e nacionalismo. É lider do Grupo de Pesquisa em Didática da História (GEDHI), da UEPG. É tutor no Programa de Educação Tutorial do Ministério da Educação, do grupo PET História UEPG.

Ao site do Grupo de Pesquisa Oficinas de História, Cerri falou sobre sua pesquisa e seu livro. Confira:
 

Qual a relação do tema “consciência histórica” com sua linha de pesquisa?
Luis Fernando Cerri – Consciência histórica é o eixo central da minha linha de pesquisa. Comecei a explorar o conceito no final dos anos 90, na minha pesquisa de doutorado, antes ainda de conhecer os livros de Rüsen, tateando entre os escritos de Agnes Heller, Hans-Georg Gadamer e outros. Eu trabalhava na perspectiva de tentar recuperar e refletir sobre o ensino e a aprendizagem de um sentido para a nação do tempo, produzido pela propaganda da ditadura civil-militar brasileira. Era, portanto, um objeto que perpassava a aprendizagem escolar de história mas, além de não se restringir a ela, buscava as relações entre a agenda escolar e a agenda social no que se refere ao saber sobre o tempo. Na atualidade, o Grupo de Estudos em Didática da História – GEDHI – é um espaço para esse perfil de estudos sobre ensino de História, buscando os elos entre consciência histórica, ensino e aprendizagem, cultura política e cultura histórica.

Por favor, apresente brevemente o livro.
Cerri – O livro tem a intenção de oferecer uma das muitas compreensões possíveis sobre o conceito de consciência histórica, relacionando-a com temas que são importantes para a nossa contemporaneidade, como a ditadura, a construção da democracia, o relacionamento entre o espaço público e as questões privadas. Entre essas questões, a principal é o ensino de história, a aprendizagem dos alunos, a formação dos professores, enfim, as consequências que o conceito de consciência histórica traz para as nossas reflexões sobre a história na escola.

Qual a consciência histórica que temos do nacionalismo hoje e como ela é trabalhada na escola?
Cerri – Entendo que sujeitos e instituições não são dotados de apenas uma forma de consciência da história. Na verdade, o único indício de como a consciência histórica opera nas suas mais diversas formas está no padrão de atribuição de sentido ao tempo que os sujeitos produzem, isso é o dado empírico. A consciência histórica é um construto teórico para tentarmos entender como se dão esses processos de experiência e expectativa do tempo – como diz Rüsen – manifestos em símbolos e narrativas. No que se refere à nação, ou seja, quais os sentidos que atribuímos à identidade político-territorial no tempo, não é diferente. Convivem na escola diversas formas, das tradicionais e exemplares às genéticas, passando pelas críticas. O que predomina hoje é motivo para uma pesquisa. Mas é possível afirmar com tranquilidade que durante a ditadura predominaram, na escola, os modos tradicional e exemplar; nos anos 80, houve uma forte inflexão para o modo crítico, até iconoclasta. Hoje, creio que estamos em busca de uma crítica menos destrutiva e cínica, de uma compreensão genética de nossa identidade nacional, mas dançando na beira do abismo da indiferença.

Um dos capítulos do livro se chama “Estudar história para quê, afinal?”. Como a didática da história pode contribuir para responder essa questão?
Cerri – O professor parte da clareza de que ensinar história não é repassar um conjunto de dados, mas compartilhar uma forma de pensar, e com isso estabelecer um diálogo com o mundo histórico do aluno. A Didática da História sob inspiração dessa escola alemã que estamos conhecendo cada vez mais é, por sua vez, fortemente influenciada pelo conceito habermasiano de razão comunicativa, que por sua vez é muito próximo, nos efeitos, com a ideia de educação dialógica, de Paulo Freire. Nesse paradigma, creio que é possível criar condições de aprendizagem em que a resposta a “para que estudar história” nem tenha razão de ser evocada pelo aluno.

Veja também:
Grupo de Estudos em Didática da História: http://gedhiblog.blogspot.com/
Blog: http://lfcronos.blogspot.com

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